As Três Ações Transformadoras
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Publicado em 14/04/2011
As Três Ações Transformadoras
1. Adotar uma prática disciplinada de Yôga

Como praticante e professor do SwáSthya, o Yôga Antigo, há trinta e cinco anos, posso falar com a autoridade da experiência acumulada sobre a potência da prática deste Yôga.

Entre as mais de mil modalidades de Yôga, adotei o SwáSthya por ser aquele que mais preenchia minhas expectativas: técnico, ancestral, sensorial, e por me oferecer a oportunidade de aprender com um Mestre de Yôga vivo.

Ao praticar Yôga, estamos acordando energias instintivas que estavam reprimidas e simultaneamente, metabolizando, elaborando, potencilizndo e canalizando o instinto para a saúde, trabalho e autoconhecimento.

A prática faz detonar uma implosão de vitalidade e autoconhecimento, funcionando como uma base sobre a qual cultiva-se as demais atitudes para desenvolver valor.

Lembremo-nos que embora sintamo-nos senhores de nossos destinos, esta percepção é infundada. Nossa vontade e poder de escolha são sobrepujados sempre pelas regras e normas. Qualquer sentimento de liberdade que detenhamos é um truque muito semelhante ao utilizado na sociedade das abelhas e das formigas. Ou seja, servimos aos interesses maiores da sociedade humana, manipulados, cegos pelos condicionamentos.

Este modelo comportamental modela nossa respiração, músculos, glândulas, sistema nervoso, cognição e sentir, de maneira a perpetuá-lo.

Porém, ao aplicar a práxis do SwáSthya sobre o nosso veículo psicofísico, todas as estruturas que o constituem serão remodeladas, reeducadas, reconstruídas, içando a consciência humana para um outro patamar, cada vez mais livre do intricado arcabouço condicionado, de liberdade, valor e poder de escolha.


2. Cultivar atos de poder

Condicionar é sujeitar a vontade a um determinismo; sugestionar, convencer, persuadir. A vida humana em grupo submete sistematicamente a vontade às regras e normas. Esta dominação decisivamente anula as chances do macaco-humano conectar sua individualidade, minando nele o impulso criativo, a coragem mamífera inata, a curiosidade congênita e as suas habilidades comunicativas. Portanto, não podemos nos surpreender quando deparamos com uma espécie com tanta baixa auto-estima como a nossa. Subliminarmente, é identificado na cultura humana um mecanismo inibidor para sabotar a superação dos limites. O motivo é que este sobrepujamento aos condicionamentos representa potência e transcendência às regras e normas, sendo o indivíduo livre visto como uma possível ameaça à estabilidade individual e tribal dos membros de um determinado grupo social.

Aprender a mudar hábitos produzirá disciplina e resgata a vontade, a determinação, conduzindo o Homo sappiens à um novo degrau de comando sobre os condicionamentos, substituindo-os por novos, mais inteligentes, construindo uma espiral de gratificação, auto-estima e evolução comportamental. E isso gera potência!

O segredo é iniciar com mudanças de hábitos aparentemente insignificantes, como não deixar mais a cueca no chão, a calcinha pendurada na torneira do chuveiro ou sempre usar o cinto de segurança ao dirigir.

Mas, a diferença é que uma vez que se tenha assumido o compromisso de realizar esta pequena mudança comportamental, jamais se reproduzirá o hábito antigo.

Algumas semanas depois, com as novas atitudes sedimentadas, substituiremos alguns outros poucos comportamentos condicionados sem importância. Mas jamais repetiremos a antiga maneira de fazer aquelas coisas.

Adotando progressivamente novos hábitos, em pouco tempo descobre-se que o segredo de mudar um costume está em discipliná-lo. A disciplina produzirá eficácia para fazer qualquer mudança e quebrar condicionamentos repressivos, inibidores da criatividade e coragem, ampliando o espectro de oportunidades e escolhas evolutivas, inteligentes e muito mais competitivas.

3. A gestão do tempo

Alguém que tenha consciência plena do seu valor, preencherá o seu tempo na busca dos atalhos que o conduzam ao encontro dos seus sonhos vitais.

Somos uma espécie muito peculiar de primata: um macaco urbano, a mais bem sucedida espécie já surgida no universo conhecido. É uma espécie jovem, com muitas habilidades para desenvolver e um mundo inteiro de coisas para transformar. Ele, passiva ou ativamente, está fazendo a história da espécie humana. Gerir seu tempo é colocar o corpo, a criatividade, a inventividade, a coragem e os instintos a serviço da concretização da sua visão de mundo, tempo, que em essência é o maior, único e vital patrimônio. O restante é adereço.

A racionalidade foi uma conquista evolutiva sem precedentes na evolução do macaco nu. Conduziu-nos à criação de instrumentos que nos deram a condição de macacos-caçadores, e está por trás dos aprimoramentos sociais e tecnológicos que marcaram toda a nossa trajetória civilizatória.

A construção do conceito de valor inclui a identificação do que é prioritário, importante, transferível e descartável nas escolhas efetivadas. Exige uma disciplina constante para conhecer-se. Mas, uma vez separado o joio do trigo, é fundamental sobrepor um planejamento racional, identificando o como fazer. Isso inclui as ações, sua execução, contornar objeções, redimensionar e reiniciar todo o processo, num patamar espiral acima.

Parece fácil e lógico, mas não funciona assim para o ser humano. Sua instintividade, mal educada, reprimida, límbico-emocional, mantém uma pressão que funciona como lentes embaçadas, distorcem sua compreensão da realidade e impulsionam suas escolhas, muitas vezes, estupidificando-as.

Vale lembrar: em inúmeras ocasiões, são estas mesmas emoções, herança essencialmente mamífera, que nos fazem realizar escolhas decisivas na direção dos nossos anseios mais profundos.

Daí a importância vital de planejarmos, gerenciarmos o tempo dentro do cotidiano. É levar potência ao dia-a-dia. Também compreende que a existência é, em essência, um dia depois do outro, e portanto, deve ser aonde aplicaremos o poder para fazer escolhas potentes, valorosas, que façam a diferença para nós e o mundo que nos rodeia.

Jóris Marengo
Presidente da Federação do Método DeRose de Santa Catarina
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